quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vontade de beijar os olhos de minha Pátria...

...se me perguntarem o que é a minha Pátria...direi...não sei...mas sei que a minha Pátria é a luz, o sal, a água...vontade de beijar os olhos da minha Pátria...de mimá-la...de passar-lhe as mãos pelos cabelos...

...está decidido...um dia vou voltar a minha Pátria, não sei quando...talvez integrado numa qualquer organização de ajuda humanitária...a vontade de abraçar a minha gente não tem limites...vou voltar...não sei quando...mas vou voltar, gente.


 " Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doença incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se sentem genuinamente portugueses mascara-se a doença, ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e imunizados. A mínima exposição a determinadas circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis recorrências e acabamos por arder na altíssima febre de uma recidiva sem regresso nem apelo".

Rui Knopfli


     in ...http://umvoocegoanada.blogspot.com

Um beijo.

João Neves




quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Faz hoje um ano


A nossa cidade

A minha partida para Moçambique dia12 de Novº 2008



Primeiro que tudo agradeço o convite do João para participar na Tribo Macua.Não podia deixar de aceitar e orgulho-me de enviar-vos o meu primeiro post precisamente no dia em que faz um ano que parti rumo a Moçambique depois de 42 anos.
Quero, portanto, partilhar convosco a emoção que senti ao chegar a Nampula.
Sentir, ao olhar a cidade, a sensação de que nunca tinha de lá saído.
O cheirinho macua envolveu-me de tal maneira que ainda hoje o sinto!
Vou tentar deixar duas fotos e prometo que voltarei à Tribo Macua para mais posts.
Não sou bem do vosso tempo, um pouquinho mais antiga, lembro-me de quase todos vós muito novinhos ainda...Beijos a todos

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dia de Castanhas - S. Martinho




Não me recordo se lá na minha terra se festejava o dia de S. Martinho.
Lembro-me de subir aos cajueiros, como uma macaquita, para  apanhar os seus frutos.
No meu quintal não havia cajueiros. Simplesmente ficava a olhar para o cajueiro frondoso, da machamba do Administrador em frente à minha casa.
A minha mãe proibiu-me de lá ir.
Depois da escola e do almoço  parada na estrada  olhava  aquele cajueiro ...  era lindo,principalmente, quando estava carregado de frutos ... a minha mãe dizia: menina vem para dentro! Mas, eu não acatava a ordem ... ficava ... até que aparecessem os cipaios com os reclusos para culimarem a machamba.
Os cipaios já me conheciam, 
olhavam para mim a sorrir, a minha conversa era sempre a mesma.

Cipaio, dá cajú à menina, dizia eu.
O Cipaio, com o seu sorriso rasgado, dizia: está bem, minina eu vou apanhar...  já levo cajú à minina.
Num ápice alguém batia à porta:
Srª... cajú pra minina...
O pior seguia-se ... assar as castanhas no moto do quintal, sujar-me toda, ai como a minha mãe ficava .... 
A acompanhar as castanhas eu bebia o suco do cajú.





Os indígenas faziam jambalau uma bebida alcoólica produzida através do suco do cajú. Por essa altura, a música  e a dança no bairro do mafarinha duravam  até às tantas, era certamente o festejo do dia de " S. Martinho".


Eu nunca fui ao Mafarinha ver uma festa destas, simplesmente adormecia ao som dos batuques e das marimbas.



Com ou sem castanhas de cajú , um bom S. Martinho para vós, se puderem dancem uma Marrabenta.


Bjx
Alda

domingo, 8 de novembro de 2009

Despojos de uma Infância

Tá-tá...

Acenámos nossas mãozitas douradas


Na esperança do reencontro

Virei-me, pela última vez, para te ver no meio da multidão

A tua balalaica e o teu calção distinguiam-te como se de um chefe te tratasses

Ouvi a voz estridente de alguém... despache-se!!!...entre!!!

Entrei naquele pássaro gigante

Dos meus olhos  pérolas silenciosas brotaram

O meu lugar era à janela

Não era mais a janela do comboio onde eu e tu respirávamos liberdade

Fechei os olhos na tentativa de  esquecer

Chorei ... saboreei o sal das minhas lágrimas

Recordei, então:

O teu sorriso rasgado           

O teu cheiro a maresia

A tua pele dourada

A tua voz ... como uma melodia de embalar...

A esperança do reencontro morava no meu coração

Mas ... os deuses não quiseram...

Perdemo-nos num tempo e num espaço que não voltarão jamais

O passado desapareceu ... o futuro não sabemos... o presente já não é.

Restam apenas memórias ...

 

AM (Lx  30 /12/79)

 P.S. Imagens retiradas do Blogue - Voando Sobre Moçambique

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

...Lar ...doce lar...

  
    ...O ÉDEN...








...NÃO  TENHO  COMENTÁRIOS...

João Neves

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Morre lentamente ...


"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê, 
Quem não ouve música, 
Quem destrói o seu amor-próprio, 
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, 
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto, 
Quem não muda as marcas no supermercado, 
não arrisca vestir uma cor nova, 
não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente quem evita uma paixão, 
Quem prefere O "preto no branco" 
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis, 
Justamente as que resgatam brilho nos olhos, 
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, 
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, 
Quem não se permite, 
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. 

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante, 
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, 
não perguntando sobre um assunto que desconhece 
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe. 

Evitemos a morte em doses suaves, 
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o 
Simples acto de respirar. 
Estejamos vivos, então!» 

Pablo Neruda

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nação Macua

Li este post no  malambas.blogspot.com e gostei...gostei mesmo maningue e resolvi compartilhá-lo convosco.
...
Nação Macua
Todos os meus amigos sabem que nasci na Zambézia e que sou macua. Gosto muito desta minha condição.


Sou macua, pertenço a nação macua e gosto de o ser, sinceramente identifico-me completamente com as gentes desta nação, com o lugar, com os costumes, com o comer, com o viver; enfim Sou macua porque me sinto macua.


Incrivelmente hoje, ao receber uma chamada telefónica um amigo me disse: Estou na tua terra e chove aqui a cântaros. Fique radiante, tão radiante que repeti o que acabara de ouvir. Aí é? Está a Chover na minha terra?


Imediatamente obtive a seguinte resposta: Tua terra não, vives tantos anos fora daqui que já não pertences a este lugar.


Senti pela primeira vez que a nossa terra está enraizada em nós; é algo que trazemos num lugar recôndito mas sublime do nosso Eu. É que quando o meu amigo referiu que eu já não era filha da nação macua e já não pertencia mais aquele lugar, senti uma tão grande necessidade de reafirmar as minhas raízes macuas. E fi-lo veementemente: ao lhe ter dito que vivo em Maputo há mais de 20 anos, mas nada tenho haver com este lugar, nem com as suas gentes, nem com os seus costumes.

Disse-lhe que a minha terra é muito bonita igualmente as mulheres são muito bonitas, referi que na nação macua, as mulheres não são “loboladas” (dote pago pelos homens aos familiares da noiva para casar com uma mulher no sul de Moçambique) e os homens da minha nação, da (nação macua) são circuncidados e tem obrigatoriamente um rádio transístor, uma machamba (lavra) para a subsistência da família, sabem caçar, pescar, e partilhar.


Na nação macua Munherar (vergar a coluna e arrastar as duas mãos no chão em direcção ao velho, até que este a boa maneira macua te diga, fica a vontade) mas antes te pergunta pela tua família, pelo teu casamento, pela colheita e só então agradece o teu gesto e pede desculpa e insistentemente te diz põe-te bem. Fica a vontade, não é preciso estar assim.


Algumas pessoas em alguns lugares (nações) chamam a isso de "velhos e bons tempos", mas honestamente creio que esta bondade é produzida pela severidade experimentada! Quase todos passámos por dificuldades financeiras e a manutenção do básico da vida requer trabalho constantemente. Essa experiência comum produz dentro de grande parte da minha nação um senso de empatia de uns para com os outros. A polidez e a gentileza são muito mais comuns; os direitos da outra pessoa são grandemente respeitados. E, falando de respeito, as mulheres são consideradas damas. Os homens moderam o seu vocabulário quando vêem mulheres por perto e procuram ser cavalheiros, afastando-se ligeiramente do caminho como gesto de respeito ao encontrá-las na estrada, abrindo alas e cedendo lugares nas esteiras para que elas se sentem. Hoje, essas atitudes de cortesia são consideradas anacrónicas, se eu, esquecer que os tempos são outros e me atrever a esperar que me abras a porta ficarei plantada na espera. Perdoa-me amor, pensei que fosses um cavalheiro! Condescendência. Esta é uma palavra que seguramente é de difícil compreensão nos dias de hoje. Estamos muito atarefados correndo atrás das nossas ambições de ter dois carros (ou mais) na garagem e uma antena de TV que capte sinais de satélite! Se entrarem ladrões na casa do vizinho e fizerem uma limpeza lá - é problema deles. Acredita se quiseres, houve um tempo - não tão longe assim - quando as pessoas se respeitavam e se valorizavam.



Fazíamos Qualquer sacrifício para nos ajudarmos em casos de necessidade. Hoje, ninguém está muito preocupado com os outros – estejamos bem ou mal! Ser mesquinho hoje é uma virtude, como resultado, poucas pessoas agora param para considerar o quanto Deus tem nos abençoado. Temos muito mais tempo livre do que tinham os nossos pais, proporcionado pelas novas tecnologias! Entretanto, em vez de aproveitá-lo, redobramos nossos esforços trabalhando em horas extraordinárias para ganharmos mais e podermos gastar mais! Uma pessoa famosa, cujo nome não me lembro, disse: "Não há esperança para o homem que já está satisfeito". Isso bem poderia ser o lema em algumas nações hoje. Corremos de um lado para outro, parecendo formigas que tiveram o seu formigueiro destruído, muitos privando-se do sono e outros voando no "piloto-automático" para decidir o que vão comprar a seguir. Poucos parecem satisfeitos com o que já têm e estão literalmente enlouquecendo e tentando adquirir tudo. Vês algo errado neste quadro? A revelação é que estamos no caminho para a destruição.






*Suzete Madeira*


*(Poetisa e contista da nova vaga moçambicana)

...


 João Neves



domingo, 25 de outubro de 2009

Domingo em família


Hoje mudou a hora. Que bom, os mais preguiçosos dormem mais uma hora. Os que gostam de mabassar (trabalhar) têm mais uma horita.


Lá muito longe, há muito tempo, os domingos eram passados em família. Famílias numerosas, pais, irmãos, tios, tias, primos e primas faziam um rancho de gente.
 Pela manhã íamos á Missa na Igreja da Localidade. Depois, os mezungos (homem branco) ficavam-se pelos cafés com os muanas ( miúdos) e as manacages (mulheres) iam para a inhumba (casa) fazer a cúdea (comida).



 Quando os mezungos e os muanas chegavam para a cúdea ... hummmm que cheirinho, normalmente , na casa da minha madrinha, a cúdea era canja, caril de galinha e uma sobremesa doce, havia também uma tábua de frutos tropicais ( abacaxi, abacate, manga, goiaba, banana, cajú ...).



  Adorava comer o caril á mão tal como os monhés. Era feio diziam, mas era assim que sabia bem. A minha sobremesa preferida era bolo de batata doce, porque a seguir, em vez de ir dormir a sesta, escapulia-me para o quintal e subia a cima da mangueira e refastelava-me a comer mangas, daquelas com fio, que eram uma delícia.


 Hoje é domingo, as famílias já não são as mesmas, então arranjamos outras famílias, os amigos, por exemplo.


 Adoro receber os meus amigos. Preparar-lhes uma refeição que lembre os momentos da nossa infância.


 Hoje a cúdea é assim:



Tapas de Abacate


Ingredientes:
60 g de castanha de cajú
1 abacate
Água, molho Tabasco, cominhos em pó, pão de milho, sal, pimenta, sumo de limão, azeite, caril e salsa q.b.

Preparação


Tritura-se finamente a castanha de cajú numa picadora, reserva-se, no entanto, algumas inteiras para a decoração. Depois, coloca-se o picado num almofariz, junta-se um pouco de água e esmaga-se até obter uma massa homogénea. por último, incorporam-se algumas gotas de molho de tabasco e um pouco de cominhos em pó. Cortam-se fatias de pão em círculos, barram-se com a massa de castanha de cajú e cobrem-se com o abacate cortado em rodelas finas. Por cima espalham-se algumas castanhas e tempera-se com sal, pimenta, azeite,sumo de limão, carile uma folhinha de salsa.


Camarões com quiabos
Ingredientes:


Camarão: 500 gr
Quiabos às rodelas: 4 chávenas (chá)
Azeite: 3 colheres de (sopa)
Salsa picada: 1 colher de (sopa)
Sal: q.b.
Pimenta: q.b.
Limão: 2
Cebola picada: 1
Tomate picado: 1


Preparação


Coloque os quiabo de molho com o sumo de 1 limão por alguns minutos.
Reserve.
Tire a cascas dos camarões, limpe bem, lave  e enxague. Coloque tudo numa tigela, junte o sumo do outro limão , o sal e a pimenta. Misture e deixe a apurar cerca de 30 minutos. De seguida escorra e enxague. Coloque o azeite numa frigideira e refogue a cebola. Junte o tomate e a salsa, refogue por mais 2 minutos e de seguida junte os camarões e deixe cozinha-los.


Por fim, adicione os quiabos lavados e escorridos e tape a frigideira até que os quiabos estejam prontos a servir. Não acrescente água. Prove os temperos.


Acompanha-se com arroz branco.



Bolo de batata doce

Ingredientes:

5 ovos
10 colheres de sopa de leite
250 g de batata doce cozida
180 g de farinha para bolos
150 g de açúcar
1 colher de café de fermento
Raspa de limão


Preparação


Bater as gemas com o açúcar. Misturar o leite, a batata doce previamente cozida, a farinha, a raspa de limão e o fermento. Bate-se tudo muito bem, acrescentam-se as claras e vai ao forno.


Untar a forma com manteiga e polvilhar com açúcar.


Depois de cozido o bolo é regado com uma calda.
A calda é preparada com água, açúcar e uma casca de limão que vai a ferver.
Quando o bolo estiver pronto, retire do forno e regue com a calda ainda quente.



Bom apetite!!
Depois do almoço vamos tomar o tradicional café na Pousada e visitar o Castelo.
Desejo-vos um óptimo domingo na companhia dos vossos familiares e amigos


Alda




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quero Viver

"QUERO VIVER" Lizete Lopo, ISBN978-989-20-1733-4/SPA 26.590 

Lizete Lopo é uma xamuar macua. Além de xamuar é uma mulher de garra e coragem. Vai lançar o seu livro em Novembro na cidade de Viseu.

Recomendo a leitura, o livro estará nos escaparates brevemente.

Parabéns Lizete!


domingo, 18 de outubro de 2009

Mangas verdes com sal

“Mangas verdes com sal

sabor longínquo, sabor acre

da infância a canivete repartida

no largo semicírculo da amizade.

 

Sabor lento, alegria reconstituída

no instante desprevenido,

na maré-baixa,

no minuto da suprema humilhação.

 

Sabor insinuante que retorna devagar

ao palato amargo,

à boca ardida,

à crista do tempo,

ao meio da vida.”

 

Rui Knopfli /1972

 

 

sábado, 17 de outubro de 2009

Olá


Olá
Sou a Alda, nova participante nesta tribo. O Gerente convidou e eu aceitei.
Não sou macua, mas ele acha que eu tenho alma macua.
Quem sou eu afinal? 
No meu perfil algumas palavras me definem, mas eu sou alguém, como todos vós, que viveu numa terra linda, paradisíaca , Moçambique - (Inhaminga, Dondo e Beira). Tinha 12 anos apenas, estava no início da minha adolescência, quando amigos, familiares e sonhos foram deixados para trás.
É com lágrimas nos olhos que recordo o dia 30 de Dezembro de 1974. 
Tantos anos passaram e as memórias permanecem. Memórias: de acordar cedinho e sentir o cheiro do capim molhado da cacimba; do sabor daquele cajú que eu própria assava no meu quintal; de subir a uma mangueira, apanhar mangas verdes, comê-las com sal e, depois, á noite sentir dores na mimba (barriga) e ouvir os ralhetes da mãe; ver o pôr do sol escaldante e cheirar o ar que trazia o aroma de uma queimada ao longe; de adormecer ao som das marimbas, lá longe, muito longe, tiritiriri.....
já li textos de outros xamuares e , de facto, há coisas que nos unem, a memória de  uma infância, adolescência e adultez felizes, conforme a época das nossas vidas lá passada. Hoje, através da net, ela tinha de ser mesmo inventada para nós, não é verdade???? encontramo-nos, alguns já não é possível, pois, partiram, fica a memória e a saudade. Cabe, então, a nós que ainda cá estamos fazer perdurar essa memória.
Hoje fico por aqui .... até á proxima ...


E... obrigada João pelo convite.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lena Lamela e Margarida Rebelo Pinto

É por tudo isto que costumo dizer que nós, os Moçambicanos, não somos melhores. "Apenas somos diferentes".
Uma Macua, cheia de orgulho por ter nascido do outro lado do Oceano, num paraíso, chamado Moçambique.

Helena Lamela







Artigo de Margarida Rebelo Pinto
29 de Maio de 2009

Os paraísos servem-nos para esquecer que o resto do mundo existe ou
para nos lembrar que o mundo pode ser um lugar melhor? Depois de uma
semana em Moçambique, onde visitei Maputo e as belas ilhas do Bazaruto
e de Santa Carolina, regressei de África com a sensação de ter
visitado uma outra face da terra.
Por mais filmes que se vejam, mais livros que se leiam, por mais
documentários e notícias que nos passem debaixo dos olhos, África só
pode ser absorvida, entendida e sentida in loco, com as suas cores e
os seus cheiros, a sua beleza e a sua miséria, a sua música e a sua
magia, a sua imensidão e as suas gentes. Foi preciso ir a África para
finalmente perceber a nostalgia incurável, qual malária do coração,
dos que lá nasceram, cresceram ou viveram, e que a descolonização
obrigou a uma partida forçada.
O que mais me tocou em Moçambique foi o povo moçambicano: educado,
afável, tranquilo, feliz. Apesar da miséria, apesar da fome, apesar
das doenças, apesar de tudo. África é um continente sem filtro; tudo
se vive à flor da pele e em carne viva. E tudo é brutal, seja o belo
ou o horrendo. Mas os moçambicanos possuem uma doçura que deve ser só
deles e que me conquistou para sempre. Viajei para lá contente e
regressei feliz. Fui leve e voltei ainda mais leve.
À parte do clássico episódio da intoxicação alimentar, tive uma viagem
de sonho, não só pela beleza de tudo o que vi, pela forma como fui
tratada. Os empregados do Pestana Lodge no Bazaruto já sabiam o meu
nome desde o segundo dia e quando foi preciso tratar da maleita,
fizeram-me canja, maçã cozida e não descansaram enquanto não me viram
outra vez com cores na cara. Ora este tipo de atenção não está
incluído naquilo a que chamamos serviço de luxo. Um calor genuíno
fez-me pensar como nos relacionamos com os outros, independentemente
daquilo que eles nos possam dar em troca. Uma atitude generosa gera
quase sempre generosidade do outro lado. A paz puxa a paz, a bonomia
puxa a bonomia, a empatia gera empatia.
Não sei quando voltarei a África nem sequer se o que lá vivi perdurará
na minha existência, mas tenho a certeza de que aprendi mais do que
penso, de que vi mais do que acredito ter visto e de que guardei mais
do que agora me lembro. O que eu sei é que me ficou na pele aquela
forma de ser e de estar moçambicana, os sorrisos que dão a volta à
cara toda, as músicas entoadas nas carrinhas de caixa aberta que
atravessam a cidade ao fim-de-semana com dezenas de homens e mulheres
a caminho de um casamento, a alegria natural e espontânea que nunca
pode ser fingida nem fabricada. Há muito amor em Moçambique. Muito
amor e muito prazer, apesar da fome, apesar da miséria, apesar de
tudo.

sábado, 6 de junho de 2009

TRIBO MACUA - 2009 - LISBOA






Voltei aqui a este post porque depois destes encontros-convivios que vamos fazendo…vem um período, para mim, muito triste…vem a nostalgia, o saudosismo…de novo...a saudade dos amigos...da minha Pátria...
E eu não ficaria bem comigo próprio se não compartilhasse convosco o que senti neste encontro do dia 25 de Julho, aí na capital do ex-império português, e o que sinto agora que a tal melancolia me aperta.

Eu tenho por hábito, nestes encontros, em dada altura, afastar-me... e assim, sozinho... apreciar a minha gente ao longe... ouvir as vossas brincadeiras, as vossas conversas, enfim, sentir-vos e... tentar transportar-me (nos) para terras do Índico...

Assim fiz também desta vez. E fico sempre com o “filme” gravado na minha memória…daí surgir a tal nostalgia…as imagens da doçura da nossa querida Emília, obrigado minha irmã pelo trabalho que tiveste, continuas aquele anjo calmo, cheio de paz, vi de novo o grande Arnaut, bonacheirão e com aquele olhar que inspira muita fraternidade, muito companheirismo, vi o meu irmão Mané Silva e Sousa irradiando felicidade e alegria querendo falar com todos, tentando recordar tudo e com todos, mas o tempo é curto não é, Mané? Ou Ratinho? Vi o grande Carlos Brites, amigão, a transpirar alegria (achei-te um pouco calmo demais para o meu gosto…que se passa meu Irmão?), vi o meu querido Licínio, alegria de viver, alegria do povo, este amigão continua o mesmo Licínio de sempre, gente. Pequeno, careca, mas sempre com aquele sorriso de orelha a orelha (aquele abraço, meu irmão!), vi o meu irmão Águia Real, Zé Carlos Barros da Costa, observando tudo e todos, o teu olhar não me enganou meu Irmão. Estavas a voar pelos ares da Serra da Mesa, pelas praias do Indico, talvez estivéssemos nalgum acampamento dos escuteiros com a nossa Patrulha Águia. Aquela canhota e…Boa Caça, meu irmão. Vi o meu Mestre e meu Chefe Escuteiro, de seu nome José Maria da Silva, um dos homens que contribuiu muito para a minha formação como homem. Um abraço Chefe Zé Maria. Teresa Paulo, cuida bem do Velho e um beijinho para ti, Teresa. Vi a Gilda, serena como sempre, o Lory e a sua calma, vi a Marla, de pequenina se fez uma Senhora, e que linda estás Marla, pensavas que não me lembrava de ti? Engano teu, Macua. Senhor João Alfaiate, com o seu olhar metálico, velho companheiro. Fiquei feliz por te ver. E o Senhor Zé Sargento, com a sua velha calma. Está tudo controlado, Zé Sargento. Gostei de te ver, Macua.Vi o Mário Nunes e o seu espírito alegre, alegria meu irmão, gostei de te ver. Também te vi formosa como sempre Ana Maria Colaço, não te fazes velha menina Macua, e vi a Fátima Pinto, linda como sempre, estavas feliz e contente por estar com o nosso Jorge Almeida ao seu lado e junto da sua gente, gostei de vos ver. Vi o Damas, o António, que fazia questão de mostrar a sua foto daqueles tempos com o cabelo comprido (não era preciso, Damas, estás na mesma, companheiro!). E o Ramalheira, o Fernando. Ainda não me contaste como fazes para manteres essa fisionomia idêntica à que tinhas à três décadas, estás na mesma companheiro. António Silva e Sousa, grande, enorme, como cresceu o nosso Silva e Sousa. E sempre com aquela fisionomia amiga. Falámos pouco desta vez, meu irmão! O Parsotamo, continua grande, aquele abraço meu irmão. E também vi o Senhor Luís Lacerda, um abraço para ti, Lacerda. Gostei de te ver. A alegria da nossa Paula Brandão, viva a Paulinha, gente. Beijo grande para ti cara bonita. A Milay Peniche, uma Senhora, gente. E que linda Macua está a nossa Milay. Os meus parabéns, Milay. Sabes, fiquei a observar-te...ficavas linda com uma capulana, Macua...temos que pedir às nossas meninas para usarem as lindas capulanas macuas... Um abraço aos teus Pais, Milay. Que bom ver gente bonita. E vi também o Timóteo cheio de saúde e a transbordar de alegria. Perguntava ele “Tu conheces-me?”. Como não podia não te conhecer, Senhor Timóteo. E o Armando Cardoso que não se faz velho. Gostei de te ver também, Macua. A nossa patinadora, Ana Maria Pereira, sempre elegante, linda. Aliás, as nossas patinadoras estão lindas e Formosas. Vocês viram a Teresa Canellas? Meu Deus, linda e formosa, que loucura Teresa. E veio directamente de Espanha para o nosso encontro. Obrigado pelo esforço e pela tua presença, Teresa. Gostei de te ver, depois de mais de 3 décadas...Shalom Teresa...E o Óscar, que pensava que não me lembrava dele. Mas ele tinha outro nome que eu hoje não tenho coragem de dizer. Mas estás na mesma Óscar, feliz também. Foi pouco tempo não foi Óscar? Vi o nosso craque do futebol de salão. Que pé esquerdo tinha o Senhor Helder. Para a próxima temos que preparar um joguinho...muda aos 5 e acaba aos 10. Abraço Senhor Helder. E o Fernando Ferreira, alegria meu irmão. Sempre à procura dos escuteiros. Ficou lá o bichinho Escuteiro de Almada, não? Abraço Fernando.. A Rosário e o Miro, não se fazem velhos. Que bem estão os nossos meninos. O Miro tem um pouco de menos cabelo, mas está bem.Vi a Yolanda, tão novinha ainda, mas com os seus lindos olhos a brilharem de alegria. Por falar em olhos, os teus olhos continuam lindos Lena Baptista. E estás muito bem, Lena. Beijo para ti.Vi aquela gente toda num rodopio a querer falar com todos, num rodopio enorme. A Senhora Olga Baessa. Que bom foi vê-la minha Senhora... E vi a minha gente do peito, Companheiros... Aqui é que vão ser elas...quando chega a vez de me lembrar de vós...a vista fica húmida...não sei de que será...velhice?... Vocês estão aqui no meu peito... vocês são importantes para mim, vocês fazem parte da minha história de vida. A Senhora minha Irmã, Fernanda Neves, aquela SENHORA, o meu exemplo, a minha querida Irmã é uma Senhora, gente. Eu sei o que estou a dizer. A Dilita…meu Deus Dilita, estás na mesma…fizeste-me chorar de alegria, Macua... Estás linda, Dilita. As lágrimas foram de alegria por ver uma Senhora que me conheceu andava eu com uns calções e usava uma perninhas muito magrinhas. Shalom, Dilita... Adorei ver estas duas Senhoras... Daí as minhas lágrimas quando te vi, Dilita Macua. A alegria de estar de novo com o nosso Quim Coelho, a sua calma, acredita na vitória meu Irmão. A Câmara de Moimenta vai ser tua, Quim, Senhor Presidente. Luzinha, a alegria, o teu sorriso é a tua imagem de marca e continuas com mesmo sorriso lindo, Macua. O meu irmão Carvalheira. Mais um que foi da Patrulha Águia. E que asas tinha esta águia, gente. Eu não tinha pedalada para o acompanhar. E não acredites nas más línguas...não estás nada velho, Companheiro. Aquele abraço Jô Cruz. Este está igual, com a barriga um pouco maior, mas esta igual. Aquele abraço, meu Irmão. Que saudades dos nossos Fogos de Concelho, Cruz... O espectáculo vai começar com as figuras de cartaz: Jô Cruz, Carvalheira e João Neves! Estava o êxito do espectáculo garantido, não era Jô? Beijo Lina, cuida do nosso menino. E o Domingos Lourenço, gente. Que grande está! E sempre com aquele sorriso. E ainda pinta e muito bem gente. Para a próxima trazes o pincel, as tintas e fazes ali um quadro, ao vivo do pessoal, grande Domingos.
Deixei para o fim alguns meninos que são mesmo do peito. Primeiro a minha querida irmã escuteira, Fernanda Xavier. Que linda estás, Nandinha. Aquele sorriso lindo continua lá, aquele olhar meigo continua lá, gente. Reparaste nos meus olhos quando te dei aquele abraço? Não ligues, estava com alergia na vista, Nanda. Que alegria em ver-te, Macua. Deixaste-me feliz, Nanda...felicidade para ti, Namdinha! A São Knopfhli, que bom é ver-te sempre, São... O teu coração continua igual, enorme. Que alegria ver-te a saltitar de um lado para o outro. Desta vez veio o Fernando. E deixaste-o sozinho, São! Aquele abraço para ti também, Fernando. E o nosso garoto que não se faz velho, Carlos! Estou a referir-me ao Fritz, Carlos !O Fritz, meu irmão. Sempre reguila, sempre com aquela alegria. Estes são os meus irmãos do peito: Fritz e Carlos Oliveira. Estes são os maiores. Vocês sabem o que representam para mim. Só vos quero sempre felizes e com toda a sorte do mundo. Para o trio infernal estar completo,faltava aqui o Hélder Meneses, não é? Paciência. Um dia ele virá cá.
Mas também fiquei triste...a nossa Duchinha não veio...senti a falta da tua alegria,Ducha! Ela tinha prometido ir ao encontro, mas teve um percalço e faltou à chamada... Força Duchinha... Força aí, Macua. Tu e a Rosa têm lugar marcado para o próximo almoço. Um beijo grande para vós. Faltou outra Senhora. A Lena Rocha. A minha querida Lena Rocha... um beijo grande, enorme, para ti Lena...estou contigo, Lena... Força aí, Macua...
E faltou também à última da hora o Mestre. O nosso Mestre...que por contratempos de ultima hora não pôde comparecer... o Dr. Morgado, gente... Esta era a surpresa que a Emília tinha reservado para nós. De certeza que a maior saudação seria para o nosso Mestre, Senhor Dr. Morgado. Fica para a próxima e muita saúde.
Pronto, agora acho que já estou melhor.
Já estive convosco outra vez.
Desculpem se me esqueci de alguem, mas... juro que gostei de vos ver e obrigado por me terem dado esse prazer.
Até ao próximo,muita saúde e um abraço enorme para todos.
… Shalom gente da minha Tribo...


TRIBO MACUA - 2009
25 DE JULHO DE 2009
RESTAURANTE BUFALLO GRILL
JARDIM ZOOLÓGICO DE LISBOA

ORGANIZAÇÃO DA EMILIA LOPO.

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe

Parabéns João foste feliz com a tua mensagem.Shalom

MÃES...Macuas Lindas.

A minha homenagem a todas as Mães mas muito em especial às mulheres da minha vida, Minha Mãe, à Mãe dos meus filhos e minha Irmã, Mãe Macua, simbolo para mim da Mãe Macua.
Um beijo cheio de carinho para todas vós de cujo ventre gerastes o fruto da vida.

A minha admiração a todas as Mães da minha Tribo Macua.

Shalom...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

..SE ME PERGUNTAREM O QUE É A MINHA PÁTRIA...DIREI...NÃO SEI...

...




SE ME PERGUNTAREM O QUE É A MINHA PÁTRIA
DIREI
NÃO SEI...
DE FACTO NÃO SEI COMO
PORQUÊ
E QUANDO A MINHA PÁTRIA
MAS SEI QUE A MINHA PÁTRIA
É LUZ
O SAL
A ÁGUA
QUE ELABORAM
E LIQUIFAZEM A MINHA MÁGOA
EM LONGAS LÁGRIMAS AMARGAS







quinta-feira, 26 de março de 2009

CAROS AMIGOS

A minha querida amiga São Knopfli enviou-me uma mensagem que eu considero digna de ser publicada.
A nossa São tem sempre o extremo cuidado de enviar mensagens aos amigos que digam sempre algo, que nos obrigue a raciocinar, enfim, a meditar...ou simplesmente a recordar com saudade...
Eu tomei a liberdade de a publicar.
Espero que vos diga algo. A mim disse-me muito.
Obrigado São. Um beijo macua para ti.
Aqui vai ela:


"...Já tenho lido muitos conselhos, mas este é um dos que realmente me tocou fundo. E acreditem que é assim que a vida vai acontecendo. Cultivem as amizades!

É obrigatório ler... CARO AMIGA/O
Um jovem recém-casado estava sentado num sofá num dia quente e húmido, bebericando chá gelado durante uma visita ao pai. Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para o filho.
- Nunca te esqueças dos teus amigos, aconselhou! Serão mais importantes à medida que envelheceres. Independentemente do quanto ames a tua família, os filhos que porventura venhas a ter, precisarás sempre de amigos. Lembre-te de ocasionalmente ir a lugares com eles; fazer coisas com eles; telefonar para eles.
Que estranho conselho! Pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados.. Sou adulto. Com certeza a minha mulher, a família que iniciaremos serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida!
Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contacto com seus amigos e anualmente aumentava o número destes. Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. Na medida em que o tempo e a natureza realizavam as mudanças e mistérios sobre um homem, os amigos são baluartes da tua vida. Passados mais de 50 anos, eis o que aprendi:
O Tempo passa. A vida acontece. A distância separa. As crianças crescem. Os empregos vão e vêem. O amor fica mais frouxo. As pessoas não fazem o que deveriam fazer.O coração se rompe. Os pais morrem. Os colegas esquecem os favores. As carreiras terminam.
MAS... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilómetros vos separe.Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por ti, intervindo a teu favor e esperando-te de braços abertos, abençoando tua vida!Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante. Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.Caso concordes, remete este texto a todos os que ajudaram a dar sentido à tua vida..."

São Knopfli


sábado, 21 de março de 2009

FERNANDO PALMA...Macua...


Quando a Leonor publicou a noticia fiquei chocado ao constatar que mais um dos nossos tinha partido...o Palma...não, meu Deus!
Fiquei com um vazio enorme e uma tristeza por ter estado com ele no encontro da Tribo Macua - 14/Julho/2007 - em Coimbra...calado, reservado e muito calmo estava o nosso Palma. Hoje estou com pena enorme de não ter estado com ele mais tempo...devia ter conversado um pouco mais contigo, meu Irmão...recordando os velhos tempos vividos no nosso paraízo...rindo das nossas traquinices...das nossas aventuras.
...Foi a despedida do nosso Palma da sua Tribo.

Dizia-me o Mané desde Angola quando soube da triste noticia que

"...Uma coisa que nunca me esqueci e julgo tê-lo mencionado no primeiro mail que te mandei é que durante algum tempo, tu foste o meu "fornecedor" de livros de cowboys. Estas são as pequenas/grandes coisas que nos ficam na memória e mesmo que nunca mais te tivesse encontrado não iria esquecer.
Da mesma forma que não esqueceria as caminhadas que fiz para casa, durante uns tempos, na companhia do Palminha e até do irmão. Nessa altura viviam, também na Estrada de Nova Chaves, mas logo no inicio. Cerca de 100 metros, depois da Padaria Sipal. Sempre foi uma boa companhia, e para mim era uma grande ajuda uma vez que vencia mais de metade da distância que tinha que galgar todos os dias entre o liceu e a minha casa, e vice-versa..."

Pois é Mané, essas pequenas/grandes coisas, essas caminhadas que fizémos todos juntos marcaram-nos profundamente e hoje muito poucos vão ter o privilégio e a oportunidade que nós tivémos de viver esses momentos de felicidade e liberdade, meu Irmão...Ele, o nosso Palma, também viveu e sentiu estas pequenas/grandes coisas e essas caminhadas...por isso estava em Coimbra naquele dia.

Dizia o Mané também,


"...Eu acho que ao fim de todos estes anos as pessoas estão mais ou menos resignados e acomodados à vida que têm aí. É dificil fazê-los levantar o "dito cujo" do conforto de suas casas. De qualquer modo, quando vão, são unânimes em dizer que passaram dos melhores dias das suas vidas. Ou seja, toda a gente gosta, mas muitas vezes deixam-se vencer pela preguiça de fazerem uns quantos klm para estarem com os amigos. Só nestas ocasiões se vê o quanto lamento o não terem aproveitado as oportunidades que tiveram..."

É...Mané...daí eu não me importar que me chamem saudosista...daí eu querer estar sempre com a minha gente, com a minha Tribo...compreendes a razão porque eu tenho um especial carinho por cada um de vós? ...a partida do Palma deixa-nos esta mensagem...porquê ou porque razão não vivermos mais em conjunto, não estarmos mais tempo juntos...pois o tempo não pára.

Gente...o grande Palma partiu...mas ele vai estar à nossa espera para aquele abraço, quando chegar a nossa vez.


Até sempre meu Irmão...até um dia Palma..







João Neves





quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai

Lindo João, emocionante.Por sinal és bem parecido com ele.Parabéns

HOMENAGEM AO MEU PAI...MACUA...AOS NOSSOS PAIS...

Esta é a minha singela homenagem ao meu Pai, meu amigo e meu conselheiro...que Deus o levou tão cedo...e assim homenagear todos os nossos Pais.

Um abraço.

João Neves